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Em entrevista a Ministra Damares falou sobre a violência sexual e esclareceu a polêmica sobre a fábrica de calcinhas.

em domingo, 4 de agosto de 2019

Damares Alves: "abuso não se justifica nem se explica, se pune"


A questão do abuso sexual foi um dos principais temas da entrevista da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ao programa Impressões, da TV Brasil, que vai ao ar na próxima terça-feira (6).

Na conversa com a jornalista Roseann Kennedy, a ministra foi incisiva ao rejeitar qualquer tentativa de justificar uma violência sexual. “Abuso não se justifica, não se explica, não se minimiza e não se relativiza. Abuso é abuso. E o abusador tem que ser contido, preso e punido”, disse.

Damares fala também dos altos índices de abusos sexuais registrados na Ilha do Marajó (PA) e do programa de prevenção e combate a este tipo de crime que começou a ser desenvolvido na região. Explica, ainda, a polêmica em torno do projeto de levar uma fábrica de calcinhas para o local.

Veja um trecho da entrevista:

Roseann: "A questão do abuso sexual é um tema que, obviamente, custa muito caro para a senhora. Mas a polêmica mais recente com a senhora é uma proposta para construir uma fábrica de calcinhas na Ilha do Marajó (PA), entre as medidas para enfrentar a violência sexual. Então, faz a gente entender o que foi isso".

Damares: "Veja só, eu entendo que abuso não se justifica, não se explica, não se minimiza e não se relativiza. Eu rejeito qualquer justificativa para abuso. Abuso é abuso. É o abusador tem que ser contido, tem que ser preso e tem que ser punido. E nós, numa região no Brasil em que o abuso acontece de uma forma muito maior em relação a todo o país, que é a região da Ilha do Marajó, inclusive, usa-se o que acontece lá para justificar. Por muitas vezes eu recebi o seguinte recado: você nunca vai conseguir resolver o problema do abuso no Brasil porque é cultural. Já existe até alguns pesquisadores querendo defender a tese de que pedofilia no Brasil é cultura. Eu rejeito que pedofilia seja cultura do povo brasileiro. Eu rejeito essa afirmação. E muitas vezes disseram que lá na Ilha do Marajó, é comum o estupro de meninas, o abuso e o incesto. Incesto não pode ser cultura. Inclusive a questão do incesto, ela é tão comum no Brasil que ela está em nossas lendas. Sabe a lenda do boto? Que no passado a gente via falar que lá na região ribeirinha as pessoas acreditavam que o boto engravidava menina? A história do boto é uma grande farsa. Era o pai que engravidava a menina e botava a culpa no boto. E aí a Ilha do Marajó é usada como exemplo. Lá é cultural e eu tenho um amor ao arquipélago do Marajó. Há quinze anos, estou envolvida com ações de enfrentamento ao tráfico de mulheres que acontece lá, à violência sexual contra mulheres e meninas, mas à violência doméstica também.

Quando ministra, nós temos que ter uma região para a gente desenvolver projetos e o presidente da República deu uma ordem para irmos atrás dos invisibilizados (sic). Vamos buscar aquelas pessoas que nunca foram alcançadas. Então resolvemos ir para lá. E aí, conversando com os agentes envolvidos com o arquipélago, uma autoridade me disse "olha, ministra, abuso lá é tão grande e há um estudo que falam que um dos motivos de abusar meninas é porque elas são tão pobrezinhas que elas não têm calcinha” Aquilo me irritou demais. Como é que tu vais justificar o abuso por falta de calcinha? Aí em uma reunião eu disse, olha, se o problema da ilha do Marajó é fome, vamos levar comida. Se estão abusando de meninas por falta de emprego, vamos levar empresas para lá, vamos levar a fábrica. Inclusive me disseram que o abuso é por falta de calcinha, vamos levar calcinha. Na verdade, levar não, levar uma fábrica de calcinha. Pegaram quando eu estou irritada falando que eu não aceito nenhuma justificativa para o abuso, pegaram só essa frase, de novo. Editaram. E disseram que eu falei que o abuso lá é por falta de calcinha. Inclusive essa autoridade que levou a informação, ela quer se pronunciar. Eu disse, não, fica quieto. O problema é comigo. O problema não é que eu falei, o problema é torcer para não dar certo. O problema é uma torcida muito grande que este governo não dê certo."

*Com informações do portal Agência Brasil.

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